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Experiência é fundamental na relação das pessoas com igrejas

Por Felipe Lemos, da Equipe da ASN.

A Agência Adventista Sul-Americana de Notícias (ASN) conversou com um profissional que estuda profundamente as relações entre as pessoas e as marcas a partir de uma visão mais ampla. Trata-se do biomédico, mestre e doutor em Fisiologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Billy Nascimento.

Billy Nascimento aposta na experiência.

 

Ele desenvolveu sua tese de doutorado na área de pesquisa denominada neuromarketing, aplicando o conhecimento de neurociências para aprimorar as imagens de advertências sanitárias encontradas nos maços de cigarro brasileiros. Nascimento é sócio-fundador da Forebrain Neurotecnologia Ltda., empresa brasileira pioneira a desenvolver serviços de pesquisa em neurociências aplicada.

Os teóricos Joseph Pine II e James Gilmore, no final dos anos 90, argumentavam que a economia da experiência tem a ver com conceitos que mexem com as sensações ou que sugerem algo memorável e pessoal e não mais apenas a venda convencional do produto ou serviço. Por que levou tanto tempo para as organizações compreenderem isso?

Na verdade as organizações já haviam começado a entender que os valores econômicos de nossa cultura econômica já estavam mudando, e a partir disso iniciaram um processo de adequação e aprimoramento da área de experiência do consumidor, algo que antes não era visto de maneira tão separada dos serviços. A bem verdade, até hoje se pensa em experiência como um atributo dos serviços, e não como um ente econômico distinto, assim como os serviços são dos produtos.

Fato é que hoje os consumidores (e por que não as pessoas?) buscam cada vez mais experiências que vão além de atributos e benefícios racionais. Elas buscam experiências sensitivas e memoráveis que possam trabalhar suas emoções e prazeres. Essa é a realidade de consumo contemporâneo, que já demonstra, segundo os próprios autores, um desgaste, ou na linguagem técnica uma comoditização, da economia da experiência, abrindo, então, a oportunidade de criação de uma nova relação de consumo baseada no conceito de transformação.

Aqui, muito mais do que envolver emocionalmente a pessoa na experiência, o papel preponderante em que o consumidor quer se envolver nas relações de consumo é perceber como aquela marca se propõe a transformar o mundo, a sociedade, ou mesmo somente o consumidor. A economia da transformação é a nova fronteira na criação de valores que mobilizará a maior parte da população nos próximos anos.

De que forma a economia da experiência pode ser interessante para uma organização religiosa, como a Igreja Adventista, que não fabrica necessariamente produtos ou fornece serviços com a intenção comercial?

Nós vivemos em uma sociedade de consumo, onde o consumo não se limita a relações comerciais, e sim, a todas as relações humanas. A implicação disso é que em uma economia de experiência eu desejo ter interações com qualquer instituição que possa me promover a melhor experiência.

Dentro desse conceito a escola, o governo, os hospitais, a igreja, precisam entender o que é construir ações e relações que promovam uma experiência genuína com seus públicos. Enquanto instituições mais antigas, a maior resistência é a perda da essência da função destas instituições, entretanto, hoje esta é a maior oportunidade a ser criada: utilizar a linguagem contemporânea da economia da experiência para atingir as pessoas em uma linguagem que ela entenda e queira se envolver.

Nesse vídeo, Joseph Pine explica um pouco da ideia da economia de experiência:


Não  há um risco de se “vender” uma experiência aos templos adventistas, por exemplo, e o “cliente” depois constatar, na prática, que não é nada do que havia sido dito a ele?

A economia da experiência parte do princípio que as soluções de produto e serviço são as melhores possíveis. Só assim nasce uma oportunidade de experiência, pois a entrega do produto ou serviço já é dado como a melhor possível.

Quando há uma dissonância entre o que se divulga de experiência e a própria realidade da experiência, temos um grande problema, pois o cérebro das pessoas cria expectativas que moldam nossas motivações e que, por fim, nos influenciam para as decisões. Uma expectativa de ir a um ambiente de alta experiência (no caso da igreja tudo pode ser pensado neste aspecto: design, arquitetura, bancos, sistema de som, iluminação, banheiros, estacionamento, serviços de recepção, louvor, calor afetivo dos membros, etc.) e encontrar uma realidade discrepante pode causar uma profunda impressão negativa e logo uma associação (ou  condicionamento) negativo para a marca Igreja Adventista.

O que uma boa experiência, pensando em uma pessoa que passa a frequentar um templo adventista para conhecer melhor a denominação, vai resultar em termos de impactos na vida dessa pessoa?

A experiência é uma porta de entrada, uma forma de comunicação, linguagem e conexão, para abertura de uma mensagem ou cognição mais elaborada. Vivemos em um mundo onde restaurantes, lojas, lugares de recreação estão focados na melhor experiência do cliente. Entendemos que hoje estes ambientes têm de pensar muito mais nas nossas emoções do que propriamente no material que estão entregando.

Este contexto molda nossa me
nte e passamos a enxergar as relações institucionais e pessoais sobre a mesma ótica. É possível entender, a partir disso, que, se não proporcionamos uma ambiente de riqueza experiencial, estamos abrindo mão de construir uma linguagem e comunicação que pessoas possam entender, gostar e buscar por mais vezes.

A ideia de economia da experiência traz consigo uma forte ênfase no uso de todos os sentidos humanos para se obter o melhor tipo de relacionamento com a marca. Como podemos torna isso uma realidade para as igrejas?

A experiência pode ser criada por duas formas: a primeira por meio de estimulações sensoriais. Aqui vemos a oportunidade de criarmos nos templos um ambiente propício para a relação com Deus e com o próximo. Todo o cuidado é necessário para tal. Nossos sentidos são a porta de entrada de informações conscientes e inconscientes, portanto o design e arquitetura proporcionam sensações para nossa visão; os bancos em relação ao nosso tato, a qualidade sonora aos nossos ouvidos, as fragrâncias ao nosso olfato e os lanches, almoços, e aperitivos servidos nos serviços de algumas igrejas e pequenos grupos estarão afetando nosso paladar. Parece surreal esta avaliação, mas, ao entender os princípios da criação de sensações, nós podemos alterar o ambiente que estamos criando para nossas relações espirituais.

A segunda forma de criar experiência é por meio de histórias. E aqui entra o papel preponderante de vídeos, sermões, lições de escola sabatina, e qualquer material que é utilizado no contato direto entre a igreja e o público. O poder do storytelling é o poder de nos levar a experienciar situações, universos e realidade que não são palpáveis, mas estão presentes em nossa mente. Se entendermos isso, teremos muito mais cuidado no desenvolvimento de vídeos, no preparo de sermões e de pessoas que exercem o papel de professores de escola sabatina.

Do ponto de vista organizacional, passaremos a entender as enormes vantagens de nos utilizarmos de estruturas de narrativa envolvendo dramaturgia ou mesmo literatura.  Entenderemos o papel da arte como promotora das experiências que podem mudar nossa mente. [Equipe ASN, Felipe Lemos]

Texto original: Notícias Adventistas

Pense Bem…

Não digas tudo que sabes
Não faças tudo que podes
Não acredites em tudo o que ouves
Não gastes tudo o que tens

Por que?
– Quem diz tudo que sabe
– Quem faz tudo que pode
– Quem acredita em tudo que ouve
– Quem gasta tudo o que tem

Muitas vezes…
– Diz o que não convém
– Faz o que não deve
– Julga o que não vê
– Gasta o que não pode!
Provérbio Árabe

Não se engane, SUICÍDIO: é preciso falar sobre esse problema

Fonte: Carolina Dantas, Globo, http://glo.bo/2cVALtW

Enquanto o suicídio segue sendo um assunto sobre o qual se fala pouco, o número de pessoas que tiram a própria vida avança silenciosamente. No Brasil, o índice perde apenas para homicídios e acidentes de trânsito entre as mortes por fatores externos (o que exclui doenças). Em todo o mundo, entre os jovens, a morte por suicídio já é mais frequente que por HIV. Entre idosos, assim como entre pessoas de meia-idade, os índices também avançam.

Falar de suicídio, na maioria das vezes, é falar de depressão. Falar de depressão, no entanto, não necessariamente é falar de suicídio. O G1 ouviu dois psiquiatras e uma psicóloga especializados para ajudar a esclarecer um assunto que, segundo eles, ainda é negligenciado:

Qual é o perfil do suicida?

Um dos estudos mais completos sobre o tema, feito pelos pesquisadores Daiane Borges Machado e Darci Neves dos Santos, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), analisou dados do Sistema de Informações sobre a Mortalidade Brasileira (SIM), Datasus e IBGE entre os anos 2000 e 2012 no Brasil. As pessoas que mais se suicidaram foram as menos escolarizadas, indígenas (132% mais casos que na população em geral) e homens maiores de 59 anos (29% a mais que as outras faixas etárias).

O Mapa da Violência de 2014 (levantamento mais recente) também aponta uma alta de 15,3% entre jovens e adolescentes no Brasil, de 2002 a 2012. O suicídio é predominante no sexo masculino, com exceção da Índia e China. Os homens brasileiros têm 3,7 vezes mais chances de se matar que as mulheres, de acordo com o estudo da UFBA.

Tem sido registrado um aumento no número de suicídios em todas as faixas etárias: crianças, jovens, adultos e idosos, como afirma o Mapa: “Os suicídios no país vêm aumentando de forma progressiva e constante: a década de 1980 praticamente não teve crescimento (2,7%); na década de 1990 o crescimento foi de 18,8%, e daí até 2012, de 33,3%”. Os especialistas entrevistados pelo G1 demonstraram especial preocupação com os jovens, que tem se suicidado cadas vez mais, e os idosos que são a faixa com o maior índice – 8 suicídios para cada 100 mil habitantes, a maior do Brasil, segundo o Mapa da Violência.

Neste mês, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou a cartilha anual de recomendação para a prevenção do suicídio. Nela, são apontadas 15 causas frequentes que influenciam na retirada da própria vida, como o uso de álcool e drogas, perda ou luto e outros transtornos mentais, como a esquizofrenia. A maior parte dos casos são executados por pessoas com depressão, independente de sexo, faixa etária ou qualquer outra característica.

Por que homens?

“A diferença [de taxas] entre os gêneros é geralmente atribuída a maior agressividade, maior intenção de morrer e uso de meios mais letais entre os homens”, concluiu o estudo da UFBA. Ainda segundo o texto, as mulheres “são mais religiosas, o que pode se tornar um fator de proteção”.

O psiquiatra Rubens Pitliuk, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, diz que a principal razão para os homens conseguirem efetivamente tirar a própria vida é a forma como eles tentam se matar. “Suicídio em homem é mais violento que em mulher. As mulheres em geral tentam [se matar] tomando comprimidos. É mais difícil a mulher se jogar de uma janela”, explica.

Uma pesquisa de uma universidade do Canadá, de 2008, encontrou a associação da mortalidade por suicídio com a tendência de expor sentimentos. A taxa era menor nas regiões onde os homens eram mais propensos a falar sobre o que sentiam.

 (Foto: Arte/G1)
(Foto: Arte/G1)

Por que jovens?

O relatório da OMS afirma que “as tentativas de suicídio de adolescentes estão muitas vezes associadas a experiências de vida humilhantes, tais como fracasso na escola ou no trabalho ou conflitos interpessoais com um parceiro romântico.”

Já para o psiquiatra José Manoel Bertolote, consultor da OMS e autor do livro “O Suicídio e sua Prevenção”, o aumento das taxas entre jovens e adolescentes já está bem documentado, mas ainda são necessários mais estudos para entender as causas.

“Estudos feitos na cidade de São Paulo sugerem que a falta de perspectivas de vida para muitos jovens — insegurança física e econômica, desemprego ou falta de acesso — aliada à desatenção e ao despreparo do sistema público de saúde agravam ainda mais a situação”, avalia.

A psicóloga Karen Scavacin, uma das revisoras do documento “Preventing Suicide – A Global Imperative”, elaborado pela OMS, considera que há, também, características do perfil dos jovens que devem ser levadas em consideração. “Tanto a criança quanto o jovem tem uma impulsividade alta (…), ele ignora a irreversibilidade da morte”.

O acesso fácil a meios de incentivo também foi apontado pela psicóloga, que vê uma alta nos casos de cyberbullying — bullying feito pelas redes sociais e internet — e que é fator contribuinte para o aumento das taxas entre adolescentes. “Hoje em dia é muito fácil você pesquisar como cometer um suicídio em qualquer mídia social. As pessoas não levam em consideração quando um adolescente ou uma criança fala que pretende se matar e isso deve ser uma das coisas que mais influencia”.

Todos os especialistas entrevistados avaliam que, neste caso, os pais e amigos tendem a achar que um comportamento agressivo pode ser confundido com uma fase difícil, como um comportamento clássico de adolescente.

“Um adolescente às vezes tem uma depressão não diagnosticada que vai aparecer como agressividade. Não é aquela depressão que as pessoas imaginam de ficar na cama, de não fazer mais nada. O adolescente sente muita dificuldade de pedir ajuda”, completa Scavacin.

 (Foto: Arte/G1)
(Foto: Arte/G1)

Por que os idosos?

De acordo com Bertolote, o aumento do suicídio entre idosos ocorre em maior parte também entre o sexo masculino. “Nessa idade observamos o acúmulo de problemas de saúde, em sua maioria doenças crônicas e incuráveis, muitas vezes dolorosas ou de tratamento penoso, associado a um isolamento social progressivo, causados pela viuvez, separações, distanciamento de filhos e netos, por exemplo”.

Para Scavacin, há o fato de que os idosos planejam por mais tempo e por isso conseguem concluir o ato. “Para cada quatro tentativas do idoso, temos um suicídio completo. Se a gente pensar em um adolescente, são 200 tentativas para cada um suicídio completo. Ou seja: o adolescente tenta mais, mas o idoso chega a cometer mais o suicídio”. disse.

 (Foto: Arte/G1)
(Foto: Arte/G1)

Como salvar alguém?

Bertolote é objetivo na hora de “aconselhar” como ajudar: “Para o leigo é, sobretudo, se dispor a se aproximar de alguém que demonstra estar sofrendo ou que apresenta mudanças acentuadas e bruscas do comportamento, ouví-lo e, se não se sentir capaz de lidar com o problema apresentado, ir junto em busca de quem possa fazê-lo mais adequadamente, como um médico, enfermeiro, psicólogo ou até um líder religioso”.

De acordo com os médicos, o ideal é que a pessoa seja encaminhada a um psiquiatra e seja medicada. E, no mundo ideal, que tenha um acompanhamento de um terapeuta e o apoio da família.

Outro fator importante é que os medicamentos levam um certo tempo para surtir efeito. Por isso, os primeiros 30 dias após uma tentativa de suicídio e o início do tratamento são os que precisam de mais atenção.

 (Foto: B. Boissonnet/BSIP/AFP)
(Foto: B. Boissonnet/BSIP/AFP)

Para Pitliuk, uma boa campanha de conscientização, como ocorreu com a da Aids no Brasil, deve ser feita para a depressão. “A população precisa ser mais bem informada de que depressão é uma doença e tem tratamento. Boa parte das vezes, a pessoa se sente mal e não sabe que tem depressão. Se soubesse o nome da doença, talvez procurasse ajuda. E muitas vezes a família não percebe que ela está deprimida”, explica.

O psiquiatra diz que é importante quebrar o medo dos antidepressivos que, em casos de suicídio, são fundamentais. “O remédio é necessário se o paciente tem uma depressão clínica, em que já existem os sintomas físicos – queda de energia, dores no corpo, dores de cabeça, boca seca – ou seja, o organismo inteiro está depressivo. Agora, se você puder juntar o remédio com a ida a uma terapia, é melhor do que só o remédio. Se só puder escolher um, é melhor receitar o antidepressivo”, considera.

Na rede pública, os psiquiatras e a psicólogoa apontam que o caminho é procurar os Centros de Apoio Psicossocial (CAPS). Por lá, é possível marcar uma consulta com um psiquiatra ou psicólogo. O Centro de Valorização da Vida (CVV), fundado em 1962 em São Paulo, faz um apoio emocional e preventivo do suicídio pelo número 141.

Veja mitos comuns sobre o suicídio

  • ‘Quem fala, não faz’ – Não é verdade. Muitas vezes, a pessoa que diz que vai se matar não quer “chamar a atenção”, mas apenas dar um último sinal para pedir ajuda. Por isso, os especialistas pedem que um aviso de suicídio seja levado a sério.
  • ‘Não se deve perguntar se a pessoa vai se matar’ – É importante, caso a pessoa esteja com sintomas da depressão, ter uma conversa para entender o que se passa e ajudar. Não tocar no assunto só piora a situação.
  • ‘Só os depressivos clássicos se matam’ – Não. Existe o depressivo mais conhecido, aquele que fica deitado na cama e não consegue levantar. Mas outras reações podem ser previsões de um comportamento suicida, como alta agressividade e nível extremo de impulsividade. Os médicos, inclusive, pedem para a família ficar atenta ao momento em que um depressivo sem tratamento diz estar bem: muitas vezes ele pode já ter decidido se matar e tem o assunto como resolvido.
  • ‘Quando a pessoa tenta uma vez, tenta sempre’ – A maior parte dos pacientes que levam a sério o tratamento com medicamentos e terapia não chegam a tentar se matar uma segunda vez. O importante é buscar a ajuda.

 

Fonte: Globo, http://glo.bo/2cVALtW